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A expressão "amor que mata" pode parecer contraditória, mas infelizmente descreve uma dura realidade vivida por milhares de mulheres no Brasil. Em pleno século XXI, o feminicídio — assassinato de mulheres motivado por questões de gênero — segue fazendo vítimas dentro do que um dia foi chamado de relacionamento amoroso.

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma mulher é vítima de violência doméstica a cada quatro minutos no país. Os números se tornam ainda mais alarmantes quando observamos que, em muitos casos, as agressões começam com ciúmes e controle, e escalam para agressões físicas, psicológicas e, por fim, a morte.

O chamado "ciclo da violência doméstica" envolve fases de tensão, agressão e reconciliação. Muitas vítimas se mantêm presas a esses relacionamentos por medo, dependência emocional, financeira ou por ausência de apoio da rede familiar e social. O agressor, por sua vez, manipula, ameaça e isola a vítima, tornando ainda mais difícil a ruptura.

Casos de crimes passionais continuam estampando os noticiários, com histórias de mulheres que tentaram sair de relacionamentos abusivos e acabaram mortas por seus parceiros ou ex-companheiros. Em muitos desses casos, as vítimas haviam feito boletins de ocorrência, solicitado medidas protetivas ou denunciado agressões anteriores — sem que houvesse uma ação preventiva eficaz.

O Brasil tem a Lei Maria da Penha, considerada uma das legislações mais avançadas do mundo no combate à violência contra a mulher. No entanto, a aplicação da lei ainda enfrenta desafios, principalmente em municípios menores, onde faltam delegacias especializadas, psicólogos, assistentes sociais e suporte adequado para acolher essas mulheres.

Especialistas alertam que a denúncia é o primeiro passo, mas é preciso ir além: combater o machismo estrutural, promover educação sobre igualdade de gênero nas escolas e garantir que as vítimas tenham rede de apoio e acesso à justiça.

Se você sofre ou conhece alguém que está sofrendo violência doméstica, denuncie. O Ligue 180 funciona 24 horas por dia e é gratuito. Sua ligação pode salvar uma vida.